“Tenho medo de ti. Tu pareces gostar de assassinar amores que ajudaste a nascer. Trazes na mão um punhal de dois gumes com que roubas os corações e os levas contigo. Corre no teu sorriso a rebeldia dos amores achados e perdidos em que te viste lisonjeado. E tenho medo que todos os teus amores comecem e acabem nos olhos. E quase adivinho que os dedos das tuas mãos não chegariam para contar quantos corações já se quiseram teus.
Tenho medo de ti e de mim, porque somos incompatíveis, duas amostras opostas de uma mesma experiência que a vida quis fazer. A vida quis criar uma receita de um amor (in?)existente em que os ingredientes estariam todos errados, se não fossem os olhos. Sempre os olhos… E toda a súplica de um amor que julgo perdido trago-a entre o verde dos meus olhos e o castanho dos teus.
Ama-me. Faz-me feliz. Abraça-me, não me beijes, abraça-me. E eu não consigo dizer-lo, porque tenho medo que não queiras ouvi-lo. E porque o teu silêncio me ausenta a coragem. Observo-te os olhos e não te vejo capaz de matares tantos amores. Tu também amas, tens coração. Pergunto-me se o que vejo nos teus olhos é o coração, porque é doce o que tens nos olhos. Trazes neles algo que só eu vejo e que gostas de mostrar não seres. Pousa então o punhal na tua alma e vê nos meus olhos as lágrimas que correm verdadeiras quando o sorriso é falso. Toca as lágrimas que escondo em gargalhadas com as tuas mãos cansadas de tantas e tantas carícias de falso amor. Vê que o prazo que dei a mim mesma para partir, sou eu mesma que o adio. Vê. Sente. E quando tudo em mim quer partir, vê que os meus olhos te pedem para não me deixares ir. Quando tudo em ti me diz para ir embora, os teus olhos pedem-me para ficar. Os teus olhos prendem-me e eu quero acreditar que trazes o misterioso coração nos olhos. E são os teus olhos que contrariam o relógio para eu não partir, quando tudo o resto sabe que não devo ficar. E sempre que olho para ti com indiferença, tenho a certeza de que sabes que ela não o é. O teu silêncio ausenta-me a coragem, lembras-te?” By Ray
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